segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O cara que tomava banho demais - parte III.
“Um tempo”. Foi isso que Sophia pediu a Cezar, um ano e quatro meses após terem começado o namoro. O casal que parecia tão perfeito aos olhos do mundo, tinha um problema grave. Sophia não podia mais continuar comendo cabelo, no sentido mais literal possível, e não queria mais que os dois brigassem. Foi complicado dizer a Cezar que os dois acabariam por ali uma história que construíram juntos, e que era de fato bonita. Mas Sophia decidiu-se, e acabou o namoro. Cezar por sua vez, não entendia. Achava que muito pior seria, se ele nunca se banhasse. E mesmo que tentasse diminuir seus banhos diários, se sentia muito mal. Pensou em conversar com Sophia, mas seu orgulho o fez ir pra casa, ouvir música. Sabia que sua, agora, ex-namorada não estaria em casa em uma sexta-feira à noite.
Bruno Andrade, pai de Cezar, entrou no quarto do filho. Em cinco minutos de conversa, Cezar pode perceber que, não era só ele que tinha manias estranhas. O pai repetia todas as palavras que dizia, em voz baixa, logo após terminar cada frase. Era como se ele calculasse se o que falou estava certo.
- Não se preocupe meu filho – não, se, preocupe, meu filho, repetia Bruno em voz baixa, quase sussurrando. – Sophia vai repensar suas escolhas, e vai ver que tu és um bom rapaz – Sophia, vai, repensar, suas, escolhas, e vai, ver, que, tu, és, um, bom, rapaz, - de novo, ele calculava as palavras.
Cezar nunca tinha notado essa estranha mania do pai. O agradeceu pelo apoio, sem deixar de notar que ele continuava calculando as palavras que dizia. Menos mal que o pai era engenheiro, gostava mais de números, talvez por isso calculasse até as palavras.
Quando se pôs a pensar de novo, sozinho no quarto, lembrou-se de que todos tinham manias. Sua mãe, por exemplo: adorava misturar doces e salgados. Mortadela com geléia de morango, cuca com cebola, ou o misto quente, recheado de queijo e doce-de-leite.
Seu cachorro, Thor, tinha as quatro patas perfeitas, mas, estranhamente usava só três. Uma das patas traseiras ficava sempre levantada, como se estivesse quebrada. Mas não estava. Thor é que tinha essa mania estranha.
Todos tinham manias. Cezar não entendia porque Sophia irritava-se tanto com o fato de ele querer estar limpo! Mas, decidiu que tentaria ao menos diminuir a quantidade, e esperaria por um arrependimento de Sophia. Enquanto isso, Cezar adquiriu outra mania, menos estranha:

Ele estava sempre sozinho.

3 comentários:

Ricardo Reginato disse...

Éé Cezar,infelizmente nem todos entendem que também infelizmente, nem todos são perfeitos.

Rodrigo Henzel Barbacovi disse...

Acho que Cézar logo vai perceber que são essas manias que nos tornam únicos. Seres únicos em um mundo de estranhos!

Rodrigo Henzel Barbacovi disse...

Ou talvez Cézar veja q isso naum eh uma mania!!! Isso eh uma característica....um pedaço de cézar...e q se o amor for verdadeiro, Sophia teria amado este como seu respectivo autor!! Cézar se iludiu pela primeira impressão de carinho e interesse!!!

Pela busca insensata de compreenção e afirmação, Cézar esqueceu do mais importante...do amor próprio!!!

Cézar eh como nós....auto-suficiente sentimentalmente dentre nossa sociedade, e totalmente solitário em seu mundo!!!